A Insuficiência renal crônica
É devida a lesões glomerulares (glomerulonefrites
de origem imunológica, amiloide,
nefro-angio-esclerose) ou a lesões
intersticiais, todas provocadas por uma
destruição progressiva e irreversível dos
nefros, as unidades funcionais dos rins. À
medida que a quantidade de nefros diminui, a
função renal fica comprometida e a
insuficiência renal aumenta.
O animal que sofre de insuficiência renal
crônica começa bebendo e urinando mais do que
o de costume (poliúria/polidipsia). Em seguida
aparecem as perturbações digestivas (vômitos,
diarréia), que precedem as neurológicas.
O tratamento da insuficiência renal crônica é
essencialmente baseado na utilização de dietas
hipoproteícas, uma vez que as proteínas formam
resíduos à base de uréia, muito tóxicos para o
organismo. Em condições normais, eles são
excretados pelos rins, mas na insuficiência
renal crônica acumulam-se no sangue.
A terapiase dirige apenas aos sintomas, sendo
que o tratamento causal nem sempre é eficaz.
No entanto, os recentes progressos da medicina
permitem entrever a possibilidade de um dia se
poder fazer um transplante renal, como se faz
no homem, nas mesmas circunstâncias. A
hemodiálise, prescrita no caso humano até que
se possa fazer um transplante, também não é
utilizada nos cães.
A Insuficiência renal aguda
O animal entra de súbito em anexoria, tem
vômitos e diarréias, por vezes hemorrágicas.
Paralelamente, a concentração de uréia e
creatinina no sangue aumenta, atingindo
valores via de regra muito elevados, ao passo
que na insuficiência renal crônica esses
mesmos parâmetros (que se usam para avaliar a
função renal) aumentam com moderação.
Na origem desta forma de insuficiência renal,
podem estar fatores isquêmicos (caso do rim
que tenha sofrido alterações decorrentes de
mudanças de circulação sangüínea), infecciosos
(sobretudo leptospirose) e tóxicos.
Os tratamentos aplicáveis no caso de
insuficiência renal aguda consistem na terapia
com fluidos e eletrólitos e em medidas de
purificação extra-renal (diálise peritoneal).
Algumas formas da doença respondem bem à
medidas terapêuticas, mas nas outras o
prognóstico é, infelizmente, mais reservado.
Cálculos Urinários - Urolitíase
Nos cães podemos encontrar 4 tipos de urólitos
(cálculos): os de fosfato, geralmente
associados a uma infecção do trato urinário;
os de urato; os de oxalato decorrentes de
alterações metabólicas; e os de cistina, cuja
ocorrência depende de predisposição
hereditária.
A freqüência e o tipo dos cálculos podem
variar conforme as raças. Assim, os cálculos
de cistina são observados com mais freqüência
no Dachshund e os de urato no Dálmata.
A presença destes cálculos no trato urinário
pode levar ao aparecimento de hematúria
(sangue na urina), cistites, incontinência,
retenção urinária, complicações infecciosas e
renais. Por vezes um cálculo introduz-se na
uretra e não consegue passar por certas zonas
particularmente estreitas. Daí resulta uma
obstrução uretral que só poderá ser resolvida,
muitas vezes, recorrendo-se à cirurgia.
O tratamento da urolitíase no cão pode ser
medicamentoso ou cirúrgico, conforme o quadro
que o animal apresente.
Em casos obstrutivos, o cão pode apresentar-se
visivelmente desidratado, letárgico ou
comatoso. Nestes casos a terapia é instituída
de modo a estabilizar as condições do animal
para que possam ser iniciados os procedimentos
para a remoção do cálculo.
Se a bexiga estiver distendida, ela deve ser
esvaziada através de sonda, catéter ou
massagens, sendo que às vezes é preciso
anestesiar o animal.
Geralmente o veterinário solicita um exame de
urina, através do qual é possível determinar a
ocorrência de infecção e a natureza do
cálculo.
Se for constata a presença de um processo
infeccioso, utiliza-se um antimicrobiano e um
acidificante urinário. Se o animal apresentar
apenas uma propensão para a formação de
cálculos, quer seja de origem genética ou
devido a uma dieta inadequada, a terapêutica
consiste na administração de dietas
calculolíticas (rações especiais) disponíveis
no mercado.
Os cálculos nos rins são bastante raros no
cão, mas, quando existem, pode ser necessário
recorrer a uma intervenção cirúrgica. Muitas
vezes, os cálculos podem obstruir os
efíncteres urinários ou a uretra, provocando
sérias retenções urinárias.
As infecções do trato urinário (ITU)
Na maior parte dos casos, a infecção urinária
canina é uma consequência de infecções em
órgãos vizinhos, como na próstata, útero,
vagina ou, mais raramente, sistêmicas. Por
conseguinte, não basta tratar os seus
sintomas, tem é de se tratar a sua causa. Esta
procura-se sistematicamente mediante um exame
clínico aprofundado com radiografias e exames
complementares.
As infecções do trato urinário são causadas
por germes que em geral provém do tubo
digestivo. Algumas, principalmente as
crônicas, são particularmente difíceis de
curar.
Incontinência Urinária
Caracterizada pela micção involuntária, a
incontinência urinária do cão pode ter
múltiplas causas. Pode ser o resultado de
lesões do sistema nervoso, de mal-formações
congênitas, de lesões adquiridas na bexiga e
nos esfíncteres ou de desequilíbrios
hormonais. Não existe, por isso, um tratamento
único para a incontinência urinária, mas
tratamentos específicos de acordo com cada
causa.
Em geral, as lesões do sistema nervoso, da
bexiga e dos esfíncteres são difíceis de
tratar e, embora existam novos protocolos
terapêuticos, os resultados ainda não são
satisfatórios.
Em contrapartida, algumas mal-formações
congênitas podem ser totalmente corrigidas
mediante cirurgia. Assim acontece com a
ectopia ureteral ou com a persistência do
canal fraco.
Como sequela de certas intervenções
cirúrgicas, também podem surgir incontinências
urinárias causadas por fístulas ou por
aderências. Uma nova intervenção pode
recuperar a continência normal, mas nem sempre
o resultado é garantido.
Coleção Nossos Amigos, os Cães