No cão, assim como
no homem, existem anomalias cutâneas que se
traduzem numa pele gordurosa e mal cheirosa.
As suas causas e os meios de tratamento são
múltiplos.
A
SECREÇÃO SEBÁCEA NO CÃO
Toda a pele do cão, com exceção do nariz e
das almofadas digitais e plantares, está
provida de glândulas sebáceas. Em algumas
áreas elas são muito abundantes, em
particular, na linha superior, na base de
cauda e na região do queixo. As glândulas
sebáceas estão ligadas a cada pêlo ou grupo de
pêlos; quanto mais Curto OU duro for o pêlo,
maior será o tamanho da glândula sebácea
associada, e esta conformação explica as
muitas predisposições e as localizações das
enfermidades das glândulas sebáceas.
As glândulas sebáceas
produzem sebo. O sebo do cão tem uma
composição complexa: colesterol, ceras e
ácidos graxos. Estes últimos são muito mais
abundantes quando ocorre a seborréia, O sebo
dá ao pêlo um aspecto suave e lustroso,
formando uma película sobre a pele e os pêlos.
As suas funções são múltiplas:
impermeabilização da pele, proteção química,
regulação da acidez da pele e talvez uma ação
contra as bactérias e os fungos. Na sua
produção intervêm muitos fatores (ver
esquema). O excesso de sebo propicia uma
proliferação bacteriana que acidifica a pele,
uma inflamação que acelera a eliminação dos
fragmentos da camada córnea e os aglutina
tornando-os visíveis em forma de escamas e,
provoca um forte odor desagradável. Estes
sintomas indicam a presença de uma seborréia.
A Seborréia
Com este termo designa-se um conjunto de
transtornos que afetam a produção de sebo e de
queratina (camada córnea sob a pele). A
maioria dos casos são conseqüências de uma
doença subjacente, e distinguem-se três
aspectos:
-
a seborréia seca que,
como o seu nome indica, se traduz por uma
pelagem sem brilho e acompanhada da produção
de caspa (escamas); é particularmente
freqüente em raças de pêlo liso (Dachshund,
Pinscher...) assim como no Pastor Alemão e
no Setter Irlandês;
-
a seborréia gorda e
oleosa, que é caracterizada por uma pele
gordurosa ao tato; o odor que o animal
desprende é muito forte; ocorre mais no
grupo dos Spaniels e nos Cockers;
-
por último, existem
formas particulares freqüentemente
associadas a sobre infecções localizadas na
pele produzidas por estafilococos.
As doenças seborréicas
são generalizadas ou localizadas, primitivas
ou secundárias a Outra doença. As seborréias
primitivas afetam especialmente algumas raças
predispostas como, por exemplo, os Springers,
mas também podem aparecer em qualquer cão, sem
que se consiga descobrir nenhuma causa.
Felizmente, a maioria das
As seborréias secundárias
Entre as causas mais comuns de seborréia
encontram-se numerosas doenças parasitárias:
sarna ptiríase (piolhos) e principalmente uma
doença do cão jovem - a demodicose (sarna
demodécica) - causada pela proliferação de um
parasita no folículo e na glândula sebácea.
Existem doenças
alérgicas que freqüentemente se complicam com
seborréia. Também entre as causas das
modificações da composição do sebo, quase
sempre, se detectam transtornos hormonais;
este é, em particular, o caso das doenças da
tiróide, das glândulas supra-renais e da
demodicose (sarna demodécica). Alguns
medicamentos utilizados, durante muito tempo,
em doses fortes também podem provocar o
desequilíbrio da secreção sebácea.
Regimes alimentares
desequilibrados ou deficientes são, também,
uma das causas mais usuais destas anomalias
cutâneas, assim como o uso de xampus
inadequados para o cuidado da pelagem.
O excesso de calor ou a
falta de umidade, freqüentes nas casas com
calefação durante o inverno, ou em regiões
quentes e secas são a razão pela qual os cães
que vivem ao ar livre têm, muitas vezes, uma
pelagem mais lustrosa do que os cães de
interior de casa que, no entanto, estão melhor
cuidados. A seborréia é uma complicação
freqüente nas dermatoses com inflamação da
pele.
As seborréias localizadas
O cão, assim como o homem, pode ter acne.
No cão jovem, localiza-se no queixo. A acne é
um transtorno freqüente nas raças
braquicéfalas de pêlo curto como o Boxer.
No dorso da cauda do
cão, em direção à base, encontra-se uma área
oval muito rica em glândulas sebáceas. Esta
‘glândula da cauda" é freqüentemente afetada
ao mesmo tempo que o resto do corpo.
Observa-se, então, uma área oval sem pêlos
onde a pele está um pouco brilhante e
levantada.
Nas costas e no pescoço
dos cães adultos ou velhos, predispostos às
seborréias, podem formar-se "quistos" que
contêm uma substância pastosa, assim como
"pontos negros ou cravos, particularmente
visíveis em volta dos mamilos.
O canal auditivo é,
muitas vezes, sede de seborréias que podem
estar associadas a tona seborréia generalizada
ou à presença de parasitas na orelha.
Tratamento
Levando em consideração a grande variedade
de causas, o tratamento das seborréias exige
um diagnóstico preciso. Freqüentemente, o
veterinário terá que realizar exames
complementares.
A higiene da pele e da
alimentação é fundamental para prevenir ou
atenuar estes transtornos. Deve-se evitar a
utilização muito freqüente de xampus
irritantes ou detergentes que não fazem senão
agravar a doença depois de uma melhora
aparente e passageira.
A escovação regular do
pêlo permite eliminar os pêlos mortos e faz
com que o sebo se desprenda ao mesmo tempo que
tonifica a pele. Será necessário reduzir a
porcentagem de glicídios na dieta, que às
vezes é excessiva, e incluir ácidos graxos
essenciais, biotina ou vitamina B6. Em
seguida, o tratamento costuma ser acompanhado
da aplicação de xampus anti-seborréicos.
Coleção NOSSOS AMIGOS, OS CÃES