No cão a patologia da
tereóide mais comum é o hipotireoidismo, isto
é, uma redução da atividade tireoideana. O
hipotireoidismo é uma disfunção endócrina que
se observa com maior frequência em raças como
Setter Irlandês, Dobeman, Dogue Alemão,
Pinscher, Boxer, Dachshund, Golden Retriever e
Poodle, do que nas demais. Embora tenham sido
descritas formas congênitas, na maior parte
dos casos os animais costumam ser afetados na
idade adulta, entre os 4 e os 6 anos.
Os principais sintimas
do hipotireoidismo canino são cutâneos. Os
exemplares afetados apresentam, em particular,
uma alopecia (ou seja, falta de pelo) que
afeta sistematicamente os flancos, o ventre e
o pescoço. O pelo torna-se seco, quebradiço,
sem brilho e muitas vezes a pele adquire uma
coloração negra. Não é raro aparecerem
escamas, associadas à seborréia, e uma
infecção cutânea. Também podem surgir
obesidade, fadigam perturbações cardíacas e
oculares (depósitos de líquidos na córnea,
querato-conjuntivite seca), digestivas (prisão
de ventre) e, por último, perturbações
genitais; na fêmea pode ocasionar
infertilidade e um espaçamento anormal dos
períodos de cio e no macho a perda da libido,
atrofia testicular e hipertrofia das glândulas
mamárias.
O diagnóstico do
hipotireoidismo é confirmado com testes
hormonais que consistem em determinar com
radioimunoensaio (RIA) os níveis de hormônio
tireoideanos (T3 e T4) e estimular a tireóide
com uma injeção de hormônio tireotrófico
liberado pela adeno hipófise.
Estes testes, que são
muito sensíveis, na atualidade são bastante
comuns e confiáveis. Se o hipotireoidismo for
confirmado, ministra-se uma terapia de
substituição, que consiste na administração
diária de extratos de tireóide ou de hormônios
tireoidianos até desaparecerem os sintomas.
Isto pode levar semanas e até meses.
Quando o pelo tiver
voltado a nascer, basta um tratamento de
manutenção uma ou duas vezes por semana para
manter o equilíbrio da tireóide.
Na espécie canina, o
hipertireoidismo observa-se com muito menos
frequencia do que o hipotireoidismo. Mas
existe, sobretudo associado a um tumor
funcional que segrega os hormônios
tireoidianos em grande quantidade.
Devido ao seu volume, os
tumores deste tipo revelam sintomas locais, em
particular tosse e dificuldade em deglutir. A
estes juntam-se os sintomas diretamente
relacionados com alterações comportamentais
(nervosismo, hiperatividade) neurológicas
(convulsões), digestivas (diarréia crônica,
vômitos) e emagrecimento. Não parecem existir
uma propensão particular de raças.
O diagnóstico baseia-se
na descoberta da hiperatividade tireoidiana
mediante análises hormonais, numa segunda
fase, na busca de um tumor da tireóide, cuja
presença pode ser detectada com uma simples
apalpação do pescoço, caso tenha um tamanho
importante; no entanto, pode acontecer que só
se consiga descobrir com exames mais
sofisticados.
O tratamento desta
disfunção endócrina pode ser cirúrgico. É
indispensável uma preparação pré-operatória,
bem como um seguimento pré e pós-operatório
segundo normas que devem ser escrupulosamente
respeitadas. A intervenção pode ser de difícil
execução e as complicações cardíacas que se
podem observar exigem cuidados especiais.